31 de dez de 2011

Feliz Ano-Novo Pessimista

Historicamente, não curto muito o Dráuzio Varella, mas gostei desse texto dele sobre essa época do ano. Nunca consegui ficar não atormentado nessa época, logo, sou irmão dele.

Feliz Ano-Novo!
William Okubo

DRAUZIO VARELLA

Dizem que uma das aquisições da maturidade é a aceitação das fraquezas e das limitações pessoais
Fim de ano é sempre um inferno. Começa com o Natal, festa pagã consumista disfarçada de comemoração religiosa que nos enche de obrigações e tumultua a vida da cidade, já antes do primeiro de dezembro.
Com os dois olhos nas vendas e nenhum no aniversariante, o comércio se engalana com papais noéis obesos em posições circenses nas janelas e nas marquises das lojas, adornados com guirlandas de plástico, bolas multicolores e flores artificiais amarradas com laços vermelhos de bordas douradas, em meio às luzinhas que serpenteiam junto de trenós e renas a cavalgar num calor de 30 graus.
É um festival de breguice urbana de raro senso estético.
O trânsito de São Paulo que já é de chorar, vira uma tortura. As ruas que ousam chegar perto dos shoppings, da 25 de Março e das lojas do Bom Retiro viram estacionamentos a céu aberto, nos quais os carros se movem ocasionalmente.
A decoração da avenida Paulista e a incrível árvore de Natal do Ibirapuera atraem tanta gente desocupada, que pobre do mal-aventurado que precisa se locomover por essas paragens.
Graças às hordas de curiosos motorizados que se acotovelam para espiar a decoração da Paulista, sexta-feira passada fiquei preso num congestionamento na avenida Rebouças, à meia-noite. Tem cabimento? Ainda mais irritante é a felicidade natalina que se dissemina à medida em que o dia 25 se aproxima.
O pessoal dos escritórios lota os bares e restaurantes para almoços e jantares de confraternização ensurdecedora. Em meio à gritaria alcoolizada, todos se abraçam e se beijam, juram amor eterno e trocam presentes com os amigos secretos.
Nessa época, chovem convites para sair com parentes e amigos. Parece que se não os encontrarmos antes do fim de ano, o relacionamento sofrerá um abalo terrível.
Como alegar falta de tempo para não atender a essas convocações é considerado menosprezo, lá está você de banho tomado na correria, morto de fome, depois de um dia trabalho, do calor insuportável e do trânsito insano, para um jantar que será servido às dez e meia, quando todos já estiverem enfastiados com os canapés, azeitonas, patês e queijinhos servidos com as bebidas.
Vira um martírio trabalhar nessa época em que todos estão em clima de festa. A partir do dia 15, até o inadiável fica para o ano seguinte. Quando chega a hora de reunir a família na ceia de Natal, já estou desanimado de tanto correr, beber e comer mais do que devia.
O prazer de ver as crianças excitadas com os presentes embaixo da árvore, entretanto, compensa o sacrifício dos dias anteriores. Invadido pelo espírito natalino, chego a admirar o clarão dos fogos ao longe e até as luzinhas coloridas no prédio vizinho.
Nos dias que se seguem parece que São Paulo mudou de cidade: calçadas desertas, lojas fechadas, trânsito de 1950.
Pensa que faço as pazes com a paz? Nesse ambiente pacato sou tomado pela ansiedade do Ano Novo; prometo para mim mesmo que tudo será diferente, desta vez.
Agora trabalharei menos, dedicarei mais tempo para os amigos, visitarei o tio querido que passou dos 90 anos, andarei à toa pelas ruas do centro velho, apanharei chuva, estudarei mais, lerei as revistas e os livros que empilhei na cabeceira, viajarei para o rio Negro, terminarei de escrever o livro que está pela metade e correrei duas maratonas: uma no primeiro, outra no segundo semestre.
Serei um médico mais competente, mais culto, um escritor com domínio da escrita e um maratonista capaz de atravessar a linha
de chegada sem a exaustão que dá vontade de chorar no meio da rua.
Tenho o bom senso, no entanto, de guardar em segredo essas intenções. Não ouso divulgá-las porque já o fiz em tantas oportunidades, que acabaria desmoralizado outra vez. A julgar pelos anos anteriores, daqui a pouco estarei tão envolvido com o trabalho que os bons propósitos irão para o espaço.
Dizem que uma das aquisições da maturidade é a aceitação das fraquezas e das limitações pessoais. Talvez eu morra sem resolver a contradição entre o trabalho excessivo e o lazer.
Vou parar de me queixar, às vezes fico cansado de ser eu.
Feliz Ano-Novo para você, leitor amigo, menos atormentado do que este que vos escreve no último dia de 2011.


27 de dez de 2011

A volta de Jesus, 2011 anos depois

Roubei primeiro do Ricardo Kotscho, que por sua vez roubou do Frei Betto. Um dos melhores textos que li nos últimos tempos sobre o Natal.

Conforme a ocasião, é melhor a gente passar a palavra para quem entende do assunto.

Neste Natal de 2011, meu presente para os leitores do Balaio é um belo texto sobre "A volta de Jesus" escrito pelo meu velho amigo Frei Betto, escritor e frade dominicano, que transcrevo abaixo:
A VOLTA DE JESUS
Frei Betto

Sem chamar a atenção, Jesus voltou à Terra em dezembro de 2011. Veio na pessoa de um catador de material reciclável, morador de rua. Comia prato feito preparado por vendedores ambulantes ou sobras que, pelas portas do fundo, os restaurantes lhe ofereciam.
Andava sempre com uma pomba pousada no ombro direito. Estranhou o modo como as pessoas bem vestidas o encaravam. Lembrou que, na Palestina do século 1, sua presença suscitava curiosidade em alguns e aversão em outros, como fariseus e saduceus.
Agora predominava a indiferença. Sentia-se, na cidade grande, um Ninguém. Um ser invisível.
Ao revirar latas de lixo à porta de uma faculdade, nenhum estudante ou professor o fitou. “Fosse eu um rato a remexer no lixo, as pessoas demonstrariam asco,” pensou. Agora, nada. Nem o percebiam. Ou consideravam absolutamente normal um homem andrajoso remexer o lixo.
Graças a seu olhar sobrenatural, capaz de apreender alma e mente das pessoas, Jesus sabia que eram, quase todas, cristãs...
Roubaram um carro defronte a faculdade. A vítima, uma estudante cirurgicamente embelezada, apontou-o como suspeito de cúmplice dos ladrões. A polícia, sem pistas dos criminosos, decidiu prendê-lo para aplacar a ira da moça, filha de um empresário.
O delegado inquiriu-o:
— Nome?
— Jesus.
— Jesus de quê?
— Do Pai e do Espírito Santo.
O delegado ditou ao escrivão:
— Jesus da Paz, natural do Espírito Santo.
A polícia conhece a diferença entre bandidos e moradores de rua. Tão logo a moça e seus pais deixaram a delegacia, Jesus foi liberado.
Saiu pela avenida, de olho nas vitrines das lojas. Todas repletas de enfeites de Natal. Tentou avistar um presépio, os reis magos, uma imagem do Menino Jesus... Viu apenas um velho de barba branca, gordo, com a cabeça coberta por um gorro tão vermelho quanto a roupa que vestia. O menino nascido em Belém havia sido substituído por Papai Noel. A festa religiosa cedera lugar ao consumismo compulsivo e à entrega compulsória de presentes.
Impressionou-se com os rápidos flashes coloridos dos televisores expostos nas lojas. A profusão de anúncios. Comentou com o Espírito Santo:
— Houvesse TV naquela época, teriam transmitido o Sermão da Montanha como um discurso subversivo e exibido no Fantástico a multiplicação dos pães. Se eu facilitasse, uma marca qualquer de cerveja iria querer me patrocinar...
Em busca de material reciclável, Jesus se surpreendeu com a quantidade e a variedade de lixo. Quanta coisa ele não conhecia! Como as pessoas consomem supérfluos! Quanta devastação da natureza!
Dormiu num banco de praça. Ao acordar, deu-se conta de que desaparecera seu saco repleto de latinhas e papéis. Possivelmente outro catador o levara. Pobre roubando pobre. Resignado, passou o dia revirando lixo para ganhar uns trocados e poder garantir a janta.
Tarde da noite, viu uma igreja aberta. Decidiu entrar. Os fiéis, ao vê-lo tão maltrapilho, torceram o nariz. Jesus preferiu ficar de pé no fundo do templo. A Missa do Galo se iniciava. Achou o padre com cara triste, como se celebrasse um ritual mecânico. O sermão soou-lhe moralista. Não sentiu que houvesse, ali, a alegria da comemoração do nascimento de Deus feito homem. Os fiéis se mostravam apressados, ansiosos por retornarem às suas casas e se fartarem com a ceia natalina.
Terminada a missa, Jesus perambulou pela cidade. Pelas calçadas, sacos de lixo estufados de embalagens para presentes, caixas de papelão, ossos de frango e peru, cascas de ovos... Observou os moradores de um prédio reunidos no salão do andar térreo. Comiam vorazmente, estouravam garrafas de espumantes, trocavam presentes, abraços e beijos. Nada ali, nenhum símbolo, que lembrasse o significado originário daquela festa.
Passou diante de uma padaria que fechava as portas. O padeiro, ao ver o catador, pediu que esperasse. Retornou lá de dentro com uma sacola de pães, fatias da salame e um refrigerante.
— É pra você comemorar o Natal – disse o homem.
Jesus chegou a uma praça semiescura. Havia ali uma mulher excessivamente maquiada. Buscou um banco e ali se instalou para poder comer. A mulher se aproximou:
— Ei, cara, tem o que aí?
— Pão, salame e refrigerante.
— Não comi nada hoje. E a noite tá fraca. Faz duas horas que estou aqui e nada de freguês. Acho que em noite de Natal os caras ficam com culpa de pegar mulher na rua.
Jesus preparou o sanduíche e estendeu-o à mulher.
— Se não importa de beber no mesmo gargalo...
— Tenho lá nojo de alguma coisa? – murmurou a mulher. ¾ Se tivesse, não estaria rodando a bolsinha na rua.
— Você não tem família?
— Tenho, lá na roça. Larguei aquela miséria pra tentar uma vida melhor aqui na cidade. Como não fui pra escola, o jeito é alugar meu corpo.
— Esta noite de Natal não significa nada pra você?
— Cara, você não imagina o que já chorei hoje lá na pensão. A gente era pobre, mas toda noite de Natal minha mãe matava um frango e, antes de comer, a família rezava um terço e cantava Noite feliz. Aquilo me deixava muito feliz. Não posso relembrar que as lágrimas logo inundam os olhos – disse ela puxando o lenço de dentro da bolsa.
A mulher fez uma pausa para enxugar as lágrimas e indagou:
— Acha que, se Jesus voltasse hoje, esse mundo iria melhorar?
— Não sei... O que você acha?
— Acho que ninguém ia dar importância a ele. Essa gente só quer saber de festa, e não de fé. Mas bem que ele podia voltar. Quem sabe esse mundo arrevesado tomava jeito.
— Eu não gostaria que ele voltasse. Não adiantaria nada. Há dois mil anos ele veio e deixou seus ensinamentos. Uns seguem, outros não. Se o mundo está desse jeito, a ponto de eu ter que catar lixo e você alugar o corpo, a culpa é nossa, que não damos importância ao que ele ensinou. Veja, hoje é noite de Natal. Jesus renasce para quem?
— No meu coração ele renasce todos os dias. Gosto muito de orar, não faço mal a ninguém, ajudo a quem posso. Mas, sabe de uma coisa? Eu gostaria de poder falar com Jesus, assim como nós dois estamos conversando aqui.
— E o que diria a ele?
— Bem, eu perguntaria se ser prostituta é pecado. Já vi um padre dizer que sim, e ouvi outro falar que não. O que você acha?
— Acho que Deus é mais mãe do que pai. E lembro que Jesus disse um dia aos fariseus que as prostitutas iriam entrar no céu primeiro que eles.

Frei Betto é escritor, autor do romance “Um homem chamado Jesus” (Rocco), entre outros livros.


25 de dez de 2011

A alma das cidades: pedestres em São Paulo

Como bem sabe qualquer turista, um dos prazeres de conhecer as grandes cidades do mundo está em simplesmente caminhar sem destino fixo, deixando-se levar pelo acaso das ruas.
A surpresa de encontrar uma praça escondida, de se deparar com um ângulo insuspeito da paisagem urbana, se soma à experiência de mergulhar no fluxo dos passantes, flagrando sua diversidade no vaivém cotidiano.
Não são muitas as regiões de São Paulo capazes de oferecer esse tipo de sensação. A cidade, notoriamente hostil ao pedestre, tende a estruturar-se como um mosaico de destinos razoavelmente interessantes, todavia cercados de zonas mortas, quando não perigosas.
Assim, o núcleo turístico criado em torno da Pinacoteca de São Paulo se encolhe nas imediações da cracolândia, e, na Cidade Jardim, os esplendores de um shopping de luxo aterrissaram às margens de uma via expressa.
A região da avenida Paulista e da rua Augusta é uma das poucas em que o pedestre, ainda mais se for turista, pode apreciar aquele meio termo entre a homogeneidade e a diversidade, entre a segurança e a surpresa, que faz a graça dos locais mais visitados nas grandes cidades do mundo.
Diante da notícia de que quatro shoppings serão construídos nessa área, é natural que os especialistas se dividam. "O shopping é anticidade", opina Álvaro Puntoni, professor da USP. Haveria mais sentido, diz o planejador urbano Thiago Guimarães, se complexos comerciais fossem construídos fora do centro, redirecionando o trânsito e a atividade econômica para áreas menos congestionadas.
Não há incompatibilidade de princípio entre a existência de um shopping e a vitalização das vias ao seu redor. É claro que um "bunker" comercial, fechado para a rua, como é comum em São Paulo, constitui agressão à cidade. Pequenos shoppings semiabertos, de que há exemplo aliás na região do Itaim, podem, entretanto, integrar-se à rua tradicional -e parece ser esta a intenção de alguns dos novos projetos da Paulista.
Mas é, sobretudo, a valorização da rua que precisa se impor em São Paulo, com reformas de calçadas e enterramento da fiação, como se fez, por exemplo, na Oscar Freire. Um caminho que também poderia ser tentado é inverso e simétrico ao da construção de shoppings: ruas que, tendo ampla oferta de lojas e restaurantes, priorizem o pedestre. Servidas por bolsões de estacionamento, seriam como que shoppings a céu aberto, ou, quem sabe, coisa melhor: lugares de convívio urbano livre e democrático.
É só em ambientes assim, de delicada ecologia econômica e social, que a alma das cidades sobrevive.

22 de dez de 2011

Leis de incentivo a Cultura: posição coerente


TENDÊNCIAS/DEBATES
Os valores e a cultura
Parece politicamente correto combater as leis de incentivo cultural, mesmo que sigam sem contestação os incentivos em todos os demais terrenos
O cancelamento de uma exposição de arte no Rio foi objeto de recente reportagem da "Ilustrada", na qual o foco caiu em partes iguais sobre a censura a uma obra, os valores de quem paga pela arte, e sobre as leis de incentivo cultural, que, diz o texto, delegam às empresas o poder de decidir o conteúdo cultural a mostrar e, portanto, subentende-se, são (também) as culpadas.
Aqui não se discutirá a censura à arte. Censura é inaceitável, fim. Assentado isto, os pontos a discutir são dois: 1) de onde podem vir os valores que orientam a escolha da arte a apoiar e 2) as leis de incentivo que conferem poder de escolha à sociedade civil.
O título maior daquela notícia dizia: "Valores corporativos ditam o financiamento cultural". É verdade. Valores, corporativos e outros, sempre o fazem. Na história das sociedades ocidentais, esses valores foram e têm sido ditados pela Igreja, pelo Estado e pela sociedade civil (que inclui a iniciativa privada).
Embutidos nesses atores estão curadores, críticos e artistas, igualmente procurando impor seus valores -estéticos, morais, ideológicos, comerciais. É assim que as coisas funcionam. Quando se critica os "valores corporativos", subjaz a ideia de que há outros melhores para impor esse "diktat".
Quais? Nem a Igreja (qualquer delas) nem o Estado (qualquer deles, com qualquer governo) têm mais legitimidade do que a sociedade civil (com essa sua parte, a iniciativa privada) para ditar valores à arte.
De resto, por lei a igreja não mais o pode fazer. Quanto ao Estado, é imensa ingenuidade, ou perversão, supor que ele (qualquer que seja, e seja qual for seu governo) ditará valores culturais mais adequados. A história o comprova. Resta a sociedade civil, com todo o seu espectro e suas inúmeras opções.
Os "valores corporativos" (expressão ruim: a igreja também tem seus valores corporativos, como o Estado) não são os únicos, nem os decisivos, dentro da sociedade civil. Mas dela fazem parte.
A questão, portanto, não é saber se valores, quaisquer que sejam, podem ser ditados à arte: eles são sempre ditados. Cabe escolher o caminho mais favorável à arte e à sociedade. As leis de incentivo fiscal, com sua delegação da escolha à sociedade civil, são parte do cenário, e parte importante, uma vez que o mercado da cultura é incipiente, e o Estado, ausente.
É preciso continuar lembrando que a criação dessas leis significou uma ansiada independência (embora relativa) da sociedade civil diante do Estado que a oprimira durante 20 anos. Mesmo porque cultura é uma questão da sociedade civil, não do Estado.
As leis de incentivo à cultura continuam sob ataque. E sua defesa é tímida ou inexistente, sobretudo em público. Parece politicamente correto combatê-las, mesmo se todos os demais incentivos em todos os demais terrenos sigam sem contestação. Pode-se discutir se o incentivo fiscal deve ser apenas para o artista independente ou se cabe também para a instituição.
Mas o sistema da arte precisa dos dois: o artista fazendo sua parte, a instituição pondo-o em contato com seu público e com a história. A medida dessa distribuição é o que cabe discutir. A instituição corporativa pode ter seu espaço, e as instituições artísticas sem corporações a mantê-las, idem. Ao lado do Estado, outro ator naquilo que lhe cabe.
A arte, ainda mais que a cultura, é um combate pelo gosto. E esse combate se apoia em valores, todos conflitantes. Só desse conflito surge algo estimulante. Cabe compensar o sistema ali onde os pesos se tornam desiguais, não aboli-lo ou a algum de seus atores.

JOSÉ ROBERTO TEIXEIRA COELHO é professor titular de Ação Cultural da USP, autor de "História Natural da Ditadura" (2006, vencedor do Prêmio Portugal Telecom), entre outros livros, e curador do Masp (Museu de Arte de São Paulo).

1 de dez de 2011

Zona Leste

Engraçado, mais um texto sobre a região.

Desta vez o texto não é de ninguém conhecido: Riselda Morais. Ela publicou um livrinho de poesia em 2010 pela editora do Autor. Nao é nenhuma Cecília Meireles, mas ela se esforça.

Enquanto isso.... o governo ajuda a gastar milhões para construir um estádio de futebol. O mesmo que aconteceu e dizem não ter acontecido quando construiram o Morumbi.


ZONA LESTE

Eis, a grande Zona Leste
Onde milhões vem dormir
De dia todos vão trabalhar
Para a cidade construir

É diário o deslocamento
Da vida e sobrevivência
Uma comunidade sofrida
Em constante convivência

Vivendo com esperança,
Amor e força para lutar,
assim, os habitantes,
fazem a região leste melhorar

Mais qualidade de vida,
saúde, esporte, educação
arte, lazer, transporte
exige mobilização