12 de dez de 2010

Sindicato dos cachorros!

"Sindicato" com mil filiados levanta bandeira dos cães

"Cachorro é como vaca na Índia, animal sagrado", diz entidade criada por moradores de bairro nobre de SP

Primeira reivindicação foi criar um cercadinho para soltar os bichos sem coleira em um parque de Higienópolis 

VINÍCIUS QUEIROZ GALVÃO
DE SÃO PAULO 

Moradores de Higienópolis, bairro de alto poder aquisitivo da região central de São Paulo, andam inconformados com a vida.
Insatisfeitos com o que dizem ser mais deveres do que direitos, fundaram um grupo para lutar por uma causa comum, o bem-estar e a prosperidade de ilustres habitantes daquela vizinhança, os cães.
Assim surgiu o Sindicato dos Cachorros, um grupo de cachorreiros, como os donos gostam de ser chamados.
No estatuto do sindicato, "os cachorros são como as vacas na Índia, animais sagrados" e criar os bichos "não é uma mera vaidade, mas um estado de espírito".
O grupo, que já reúne mil filiados, de médicos a advogados, diz ter se juntado para "dar representatividade, proteção e apoio político e social aos cachorros e assim conquistar seus direitos".
Na pauta de reivindicações do parque Buenos Aires, o reduto dos cachorros no bairro, tanques para os cães se refrescarem; esterilização do solo; novo bebedouro e melhorar o piso de barro, que fica enlameado na chuva.
"Cachorro só tem obrigação: colher o cocô e usar focinheira. Direito não tem nenhum. Na Europa os cães andam de metrô e de ônibus. Aqui ainda estamos muito atrasados", diz Celso Barbosa, líder sindical dos bichos.
"Aqui em Higienópolis tem mais cães do que gente", diz a advogada Maria Donzília, uma das sindicalistas.
A história do sindicato começou há alguns anos com uma "cachorrata", uma passeata, segundo o médico Luiz Nusbaum, "de protesto para preservar o direito dos cães". A primeira reclamação foi criar um cercadinho para soltá-los no parque sem coleira.
"Foi uma briga de pedra e pau. Vira e mexe surge uma disputa de poder, como num sindicato trabalhista", afirma Nusbaum, dono do labrador Billy e do yorkshire Astor. Teve confusão que já foi parar na delegacia.
"A partir do momento que os seres humanos quiseram assumir o território, deu problema. Lutamos para conquistar o direito dos cães e não de gente", diz Barbosa, que cria dois são bernardos num apartamento.
Além da mobilização política, o sindicato também promove eventos sociais. No Halloween, fizeram um "pugnic", um convescote para os cães da raça pug -todos, claro, vestidos de monstro. "Os cachorros daqui de Higienópolis são show", resume Friedmann, "pai" de um boxer de dois anos.

FOLHA.com

Veja o encontro do Sindicato dos Cachorros
folha.com.br/ct844126 



Nem vou comentar o caso....


Fonte: Folha de São Paulo, 12 de dezembro de 2010!

4 de dez de 2010

Tempo de luzes... e trevas


O natal está à porta!
As grandes avenidas e ruas famosas estão repletas de luzes brancas, amarelas, verdes, azuis e tudo o mais.
A decoração nos shoppings centers estão mais bonitas e bregas como o usual.
O dinheiro transparece no momento em que a economia cresce.

Do outro lado da cidade, ou abaixo de qualquer viaduto de concreto da cidade, morimbundos na escuridão permanecem.
Crianças brincam em meio à sua própria merda, mijo e vômito, que já nem fedem mais.
Pais e mães bebericam uma 51 ou um Velho Barreiro e transam como animais no cio.

No centro, as mentes se iluminam em meio ao trago da maldita pedra de crack.
Para estes, o papai noel é o traficante que junto ao presente entrega o fogo dos infernos para acender o perú fantasmagórico.

Assim avança o capitalismo de esquerda brasileiro.
Para alguns a luz suprema.
Para outros, as trevas eternas.

Remedio-me lembrando que alguns fortes, subvertem por dentro o sistema maldito
E levam a luz de suas vidas às trevas em meio às festas individualistas coletivas.

William - 06/12/2010 - 13h14

11 de out de 2010

Equivocada demolição do edifício São Vito

TENDÊNCIAS/DEBATES




A equivocada demolição do São Vito

GABRIEL KOGAN





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A demolição do São Vito, e não seu estado de conservação, deve ser lembrada como um símbolo do desastre político e urbanístico de São Paulo

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No começo de setembro, a Prefeitura de São Paulo, depois de anos de discussões e ações judiciais, iniciou a demolição do edifício São Vito, projetado em 1959 pelo meu avô, Aron Kogan (que morreu 25 anos antes do meu nascimento), juntamente com Waldomiro Zarzur.

O São Vito é conhecido como um símbolo da degradação do centro da cidade. Para quem passa pela avenida do Estado, o edifício parece chocante. A administração amadora do gigantesco condomínio, feita pelos próprios moradores, sempre suscetível à alta inadimplência, mostrou-se ineficiente, e o tempo foi implacável.

Gerir um prédio desse tamanho é tão complexo quanto dirigir uma grande empresa.

A prefeitura, então, sentenciou seu fim. Antes de decisão estética, trata-se de uma decisão política: a concepção urbanística presente no São Vito confronta o pensamento ideológico que rege a construção da cidade contemporânea.

A sua demolição, e não propriamente seu estado de conservação, deve ser lembrada como um símbolo do desastre político e urbanístico de São Paulo.

O prédio foi pensado como uma habitação hiperdensa no centro, principalmente para populações migrantes de baixa renda, e oferecia uma excelente qualidade arquitetônica, com generosos panos de vidro. Era uma habitação próxima do trabalho, o que reduzia deslocamentos. A multiplicação vertical do precioso solo urbano foi fundamental para sua viabilização.

Essas ideias presentes no São Vito podem, ainda hoje, ser tomadas como paradigmas fundamentais para a construção da cidade -contraposição à baixa densidade e ao processo de periferização.

O desastre habitacional de São Paulo intensifica todos os demais problemas urbanos: o transporte público torna-se extenso e custoso, e os equipamentos precisam ser numerosos. A melhora da cidade passa necessariamente pela ideia de adensamento planejado.

A prefeitura iniciou a demolição do São Vito sem saber ao certo o que vai colocar no lugar. Especulou-se a construção de um estacionamento. Assim, a prefeitura aprofundaria o problema urbano, por meio de uma ideia anacrônica de estímulo ao transporte privado.

Por trás da demolição há, na verdade, a ideia de "revitalização".

Quando se fala em "revitalização", fala-se, necessariamente, em valorização do preço da terra; e, quando se fala em valorização do preço da terra, a consequência certa é a expulsão das camadas mais pobres da população, que serão forçadas a morar em periferias sempre mais distantes. Intensifica-se, assim, o desadensamento, a segregação social e a periferização. O que se planeja aqui não é apenas a demolição do São Vito; ele é uma pedra no meio do caminho.

Planeja-se uma cruel periferia e uma cidade limpa, asséptica, uma cidade para poucos, dividida. Planeja-se uma cidade inviável, sem futuro possível, que derrama seu próprio veneno a cada chuva e a cada congestionamento.

Se quiserem demolir o São Vito e apagar a caligrafia urbana de suas janelas, a única resposta possível, em uma cidade humana e democrática, é sua reconstrução.



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GABRIEL KOGAN, 25, é arquiteto e urbanista e neto de Aron Kogan, arquiteto do edifício São Vito.

4 de jul de 2010

Autoritarismo no Futebol - Jânio de Freitas

JANIO DE FREITAS 

A pátria sem chuteiras

A prioridade de Dunga não era a seleção, eram considerações particulares. Impostas a partir do poder

A SELEÇÃO DUNGA trouxe à tona um remanescente, na vida brasileira, de que o país tanto deveria se livrar quanto se recusa a encarar. Tudo na seleção, desde o primeiro momento, baseou-se em um exíguo corpo de ideias, e consequentes práticas, que caraterizam o mais deslavado autoritarismo. Era a velha e sempre viva regra: contra a liberalidade descontrolada, não a busca do equilíbrio, mas o autoritarismo.
No estilo anos 30 do século passado, o instrumento simbólico foi o patriotismo (com ou sem aspas). Os chamados à seleção seriam os que Dunga considerasse "dispostos a defender a seleção brasileira com todos os sacrifícios". Se assim foi o começo, no fim derrotado Dunga exaltava "esses jogadores que ficaram 52 dias distantes de tudo". Proibidos de contato com a vista do seu público, proibidos de conversar com jornalistas, proibidos de reunir-se a familiares, proibidos, proibidos. Os 52 dias não foram de concentração, foram de repressão de uma parte e sujeição passiva de outra.
Exigência que Dunga estendeu à imprensa, posta, com bastante passividade, sob a boçalidade como tratamento pessoal e a censura como prática, nas proibições ao trabalho habitual de reportagem e na exiguidade das informações permitidas à população ansiosa. Autoritarismo explícito, na forma mais sentida pela imprensa, e nem por isso mais intolerada. Críticas houve, sim, cautelosas e superficiais; reação, nenhuma. Nem quando Dunga investiu, ao vivo e em cores, contra um comentarista equilibrado, competente, sempre bem humorado e educado, Alex Escobar, nem aí houve sequer um mínimo ato representativo de repulsa ao autoritarismo.
Dunga brindou-se como um ser coerente e foi consagrado como tal, nas ressalvas incluídas pelos críticos às próprias críticas. Ficou dado, assim, um novo nome para a prática da injustiça. Na concepção "coerente" de Dunga, de nada valeram o esforço e o mérito de ser o melhor ou estar melhor. Se jogadores caídos na reserva em seus times são chamados a preterir jogadores em fase de excelência, que seleção é essa? E o que significa para os preteridos? E com que autoridade representa o estágio verdadeiro futebol do país? Apenas valeu o voluntarismo autoritário.
Neste sentido, Dunga fez uma síntese exemplar, quando explicou a convocação de um jogador que está como terceiro goleiro no seu time: "Quando eu convoquei o Dani da primeira vez, ele veio contra a vontade do técnico dele e por isso foi posto na reserva quando voltou pra lá. E o que os outros jogadores iam dizer agora? "Olha o que o Dunga fez com ele...'". A prioridade não era a seleção, no sentido esperado, eram considerações particulares. Impostas a partir do poder. Não da coerência, do reconhecimento justo e dos deveres da função.
A todas as críticas, ou ao que sua visão paranóide tomou por tal, Dunga ofereceu como contraste a devoção e a entrega dos seus cativos à pátria. Não por acaso, na hora de partir para a cruzada patriótica a seleção fora receber a bênção do primeiro mandatário e de sua mulher devidamente paramentados em verde e amarelo.
Mas brasileira é que a seleção não foi, nunca. Futebol fosco e tosco, de gente insegura e desnorteada ante a possível adversidade, nenhum momento de brilho verdadeiro, jamais um encanto de brasilidade. E um histérico à beira do campo ao ver que seu autoritarismo não transpunha fronteiras. Tudo não passou de uma manifestação a mais, e inconteste, do autoritarismo persistente na vida brasileira.

Não se enquadre

A maioria dos que você chama de 'mandarins bem-pensantes da cultura' não passa de um bando de galinhas assustadas. Eles tentam fazer pressão sobre minhas assumidas irregularidades de comportamento como forma de me enquadrar. Se eu me enquadrasse, eu ganharia página inteira na imprensa conformista. Eles gostariam que eu me calasse sobre tudo, mas eu não me calo sobre nada. Para essa canalha, o meu pecado é ser poeta e intelectual na total insubordinação.

Simplesmente, Roberto Piva - 1937-2010!

17 de mai de 2010

Misericórdia

LUIZ FELIPE PONDÉ

Misericórdia

Sou mesmo um crítico triste; conheço melhor a tristeza do demônio do que a beleza do mundo


É COMUM se dizer, sobre o filósofo Kant (1724 - 1804), que duas coisas o encantavam: no universo, a lei da gravidade e, no mundo, a lei moral. Para mim, duas coisas me assombram: no universo, a solidão dos elementos e, no mundo, a misericórdia.
Não me refiro à falsa misericórdia, aquela que mais é uma alegria mesquinha que sentimos diante da miséria alheia e que é, na realidade, uma espécie de gozo infame a serviço dos recantos mais obscuros de nossa frágil alma.
Perdão, mas hoje vou falar de cabala (a mística medieval judaica). Digo "perdão" porque, hoje em dia, ela está na moda.
"Meu Deus, como amo a moda", dizia a madame de Sévigné, em agonia. Deve-se evitar a moda. Infelizmente, "ensina-se" cabala por aí como se fora ela uma forma de escravizar Deus e o universo aos nossos desejos mesquinhos de sucesso. Cara leitora mística, atenção: se alguém se disser "professor de Cabala", cuidado! Antes de pagar as aulas, cheque se ele tem um profundo conhecimento de hebraico (não basta ser fluente na língua). Se não for o caso desista.
Se quiser escravizar o universo aos seus mesquinhos desejos de sucesso, restrinja-se a alguma técnica energética barata. Deve haver uns dez caras no mundo que entendem de cabala e nenhum deles mora na Vila Madalena ou atende via web.
Um dos "galhos" da árvore da cabala é chamado "Hod", que é traduzido por especialistas em história da cabala como "agradecimento".
É nisso que penso quando lembro que respiro, que minha mulher e meus filhos respiram, que meus (poucos) amigos respiram e, às vezes, sorriem.
Muitos teólogos sejam judeus, sejam muçulmanos ou sejam cristãos afirmam que a única teologia verdadeira é aquela que agradece. O leitor pergunta: "Mas este colunista deve ser bipolar. Como pode escrever hoje isto, se, nas semanas passadas, parecia habitado pelo demônio da crítica triste do mundo?".
Fácil responder essa. Não tenho diagnóstico de bipolaridade, mas quase sempre sou mesmo um crítico triste do mundo.
Conheço melhor a tristeza do demônio do que a beleza do mundo (acalme-se, leitor, uso a palavra "demônio" como metáfora) e, por isso, é que me sinto parte da humanidade.
Os humores variam, como as águas de um mar que responde a fúria da fortuna. Pela tradição judaica, Davi é o especialista na maior virtude hebraica antiga: a humildade. Em seus belos Salmos, ele canta a beleza de Deus e Sua misericórdia que escorre do Céu.
Muitos localizam esta misericórdia na mesma "árvore", como sendo "Hesed" (as vezes também traduzida como "piedade"). Davi respira essa misericórdia, por isso ele é considerado o "preferido de Deus".
Comentários rabínicos ao primeiro livro da Torá, "Bereshit" (na tradição cristã, Gênesis), contam uma história interessante sobre a relação entre a Justiça, a Verdade e a Misericórdia na origem da Criação.
Faço aqui a minha versão preferida dessa tradição: para mim a Verdade de Deus é Sua misericórdia. Estava Deus prestes a criar o homem e a mulher quando foi assolado por dúvidas terríveis. Chamou então alguns de seus assessores, a Justiça (próxima à ideia de julgamento ou "Din", outro atributo divino na cabala) e a Misericórdia.
Pergunta Deus a eles se valeria a pena criar o homem e a mulher, levando-se em conta o que nós faríamos (o pecado). A Justiça se coloca contra a empreitada dizendo que nós não valemos o "investimento".
Somos mentirosos, infiéis e orgulhosos. Seu voto seria contra. Já a Misericórdia vota a nosso favor. Diz que, mesmo sendo como somos, daríamos grande alegria a Deus nos poucos momentos em que seriamos capazes de ver, em meio à impenetrabilidade assustadora do nosso orgulho, Sua beleza.
Deus pensa e decide a nosso favor.
Todavia, talvez como forma de castigar a Misericórdia, que O convenceu a nos criar, Ele a despedaça contra o chão e a dispersa pelo mundo.
Assim sendo, ficamos submetidos, desde o alto, à desconfiança eterna da Justiça divina, ao mesmo tempo em que desesperados, arrastando pelo chão, buscamos os cacos da Misericórdia (ou da Verdade) que habita os recantos distantes do mundo e os detalhes infinitos da vida.
Por isso, dirão os sábios, Deus está no detalhe. Felizes aqueles que conseguem ainda contemplar a delicadeza desses detalhes. Toda vez que vejo a Misericórdia no gesto de alguém, me calo.

8 de mai de 2010

Razões para o abandono de áreas ricas de convívio

Apesar de rigorosamente não gostar nada do Ruy Castro, devido principalmente a sua grande ligação com a burguesia carioca (da mesma forma que tenho certa ojeriza à mesma burguesia paulistana), no pequeno texto dele na FSP de hoje, concordo com a análise dele.

O engraçado é que, mesmo com uma tremenda distância entre pensamentos, modo de vida e locais de moradia, notamos que o problema de abandono de várias cidades e bairros no mundo, e principalmente no Brasil, tem como fator preponderante o tipo de uso deles.

O centro de SP, outrora vivia 24 horas, hoje vive somente em dias e horários comerciais.

Enquanto isso não mudar, tudo está perdido!

RUY CASTRO

Vida na rua

RIO DE JANEIRO - Era uma livraria na rua Dias Ferreira, no Leblon. As bancadas dos livros tinham sido recrutadas entre os móveis e utensílios de uma tipografia de 1900, com os tipos de chumbo transbordando dos caixotins, as pilhas de clichês velhos, as amarras, as ramas, os componedores e até uma guilhotina -objetos incompreensíveis para a maioria dos clientes e, ao mesmo tempo, tão a propósito: talvez tivessem ajudado a compor e imprimir os tataravôs dos livros novos, de história, urbanismo e artes gráficas, especialidades da casa.

A dois quarteirões dali, um sebo, o mais charmoso do Rio nos últimos 20 anos, e também cheio de bossa: grande literatura em várias línguas, fotos de craques do passado nas paredes, um gato preto chamado Zulu e sempre alguém interessante folheando alguma coisa. Certa noite, ouvi quando a bonita mulher de um diretor de televisão, olhando intrigada para as estantes, comentou: "Que engraçado! Quanto livro velho!".

Já faz tempo que nenhum dos dois existe mais. A livraria é hoje um laboratório de análises químicas, campeão em biópsias e exames de urina. O sebo tornou-se uma butique ou confecção -uma grife. O inconveniente é que, enquanto a livraria e o sebo ficavam abertos até tarde, acolhendo os livrescos notívagos e solitários, seus sucessores encerram às 6, com dia claro, e condenam boa parte de seus quarteirões ao escuro e ao nada.

O mesmo acontece quando fecha um cinema de rua e, com ele, evaporam-se da calçada o pipoqueiro, a fila, a paquera bem-sucedida, o reencontro de amigos e a oportunidade do convívio social onde ele melhor se realiza: no amplo espaço público. Você dirá que, para cada livraria, cinema ou loja de discos que fecha, abre uma pizzaria, um sushi-viagem ou um yogoberry.

Desculpe, mas não acho que seja a mesma coisa.

2 de mai de 2010

A estrada, Alice, Livro de Eli, novo Woody Allen...

... e eu vou escrever sobre Homem de Ferro 2?

Pois é, apesar de já ter assistido "O livro de Eli" há duas semanas e estar lendo o maravilhoso livro do Cormac McCarthy que deu origem ao filme "A estrada". E estar na expectativa de assistir ao último Woody Allen, me vejo obrigado a falar desse blockbuster depois de assisti-lo junto do meu sobrinho de 7 anos (em tese, o filme é permitido para crianças a partir de 12, mas é tão infantil que crianças de até 5 anos podem assisti-lo sob esse ponto de vista).

É fato que esses filmes de ação na atualidade afetam os sentidos e deixam pessoas tontas como eu mais tontas com tanto barulho e tanto corte de cena, mas gosto disto como gosto das cenas longas filmadas nos melhores filmes de um Clint Eastwood ou da introspecção e desespero de um "O escafandro e a borboleta". Como em muitas coisas, passeio pelo que é requintado ou popular.

Infelizmente, para alguns, digo que algumas cenas do Tony Stark, o tal Iron Man, me fizeram lembrar o modo como se comportam certos líderes religiosos. Como eles, ele diz que salvou o mundo, como muitos acham que salvam seus seguidores. Como ele, dizem para matar para salvar. Como eles, diz que privatizou a paz mundial... opa... deixei escapar um faísca contrária à privatização e capitalização do ser humano em voga... E quando os tais líderes não dizem que salvam, dizem que suas instituições salvam!

Vejam, é possível tirar algo do vazio. Logo, é possível, mudar a situação desses infeliz país, onde leis exdrúxulas são criadas, e ainda bem que não seguidas, entrentato acontece que as poucas leis corretas são totalmente desreipeitadas, e onde o povo está amortizado, vivendo como párias e sanguessugas uns dos outros, sem lutar pelos seus direitos e sem levantar um dedo contra as atrocidades diárias feitas a seus irmãos de nação.

Em luta, por um país sério em todas as camadas da vida, um abraço aos parcos leitores.

William

21 de abr de 2010

Sobre Brasília

Ele foi cruel. E aprovo seus comentários, apesar de pessoalmente achar um belo lugar... pelo menos a área planejada!

FERNANDO RODRIGUES




Brasília, 50

BRASÍLIA - A capital federal faz hoje 50 anos. Valeu a pena construí-la aqui, no meio do nada? É difícil argumentar a favor.

Na área social, a contribuição de Brasília ao mundo foi o apartheid planejado. Nos anos 60, favelas começavam a sujar a paisagem. Pobres aos milhares foram removidos para o cerrado aberto, a 30 km de distância. Era a Campanha de Erradicação de Invasões. Nasceu Ceilândia. Hoje, tem 600 mil almas.

Os bairros centrais de Brasília são higienizados. A periferia, encardida. É a terra do autoengano. Não há favelas constrangedoras à vista como em São Paulo ou no Rio. Alguns brasilienses festejam "con gusto" a segregação civilizatória (sic).

Outra ideia basilar de Brasília foi mudar o eixo de desenvolvimento do país. Sair do litoral rumo ao centro. Houve avanços. Em 1960, a região Centro-Oeste respondia por 2,5% do PIB do Brasil. Em 2007, pulou para 9,3% -e 40% desse bolo sai da capital da República.

Então, deu certo? Não. Só há dinheiro público aqui. Não se fabrica um parafuso em Brasília. A economia é uma ficção. Baseia-se 93% em serviços anabolizados pelo governo. Os funcionários públicos detêm 40% da massa salarial.

A riqueza de Brasília é estadolatria pura. Em 2009, seu orçamento foi de R$ 18,7 bilhões. Desse total, R$ 7 bilhões (37%) saíram do Fundo Constitucional do Distrito Federal. Ou seja, cada um dos 192,8 milhões de brasileiros desembolsa R$ 36 por ano para sustentar os escândalos candangos de dinheiro escondido em meias e cuecas.

Políticos encrencados há por toda parte, sem dúvida. Mas a capital da República ostenta o recorde de ser a única unidade da Federação a ter eleito três senadores apeados do cargo acusados de atos ilícitos.

Passados 50 anos, Brasília é uma profecia não cumprida. Vive em simbiose parasitária com o governo. Ao nascer, era um erro histórico. Agora, tornou-se um equívoco irreparável por opção. Triste.

13 de abr de 2010

Você nunca tentou descobrir que livro alguém está lendo?

Menos capas para julgar

Divulgação

Em locais públicos, capas de livros atraem leitores em potencial ou dizem algo sobre o gosto do dono

Por MOTOKO RICH Bindu Wiles estava no metrô do Brooklyn, Nova York, em março, quando viu uma mulher lendo um livro cuja capa tinha uma instigante silhueta negra da cabeça de uma menina diante de um fundo laranja.
Wiles notou que a mulher tinha mais ou menos a sua idade, 45, e levava consigo um colchão de ioga, então imaginou que elas tinham afinidades e se inclinou para ler o título: "Little Bee", romance de Chris Cleave. Wiles, pós-graduanda em escrita de não ficção na Faculdade Sarah Lawrence, em Bronxville, digitou uma anotação no seu iPhone e comprou o livro naquela mesma semana.
Tais encontros estão ficando mais raros. Como cada vez mais gente usa o Kindle e outros aparelhos eletrônicos de leitura, e com a chegada do iPad, nem sempre é possível observar o que os outros estão lendo, ou projetar os seus próprios gostos literários. Não dá para julgar um livro por sua capa, caso ele não a tenha.
"Há algo [de especial] em ter um belo livro que parece intelectualmente pesado e apetitoso", disse Wiles, que se lembra de ter gostado quando recentemente, ao reler "Anna Karenina", as pessoas podiam ver a capa no metrô. "Você se sente meio orgulhosa de estar lendo isso." Com o Kindle ou o Nook, disse ela, "as pessoas jamais saberiam".
Entre outras mudanças prenunciadas pela era do e-book, as edições digitais estão varrendo as capas de livros dos metrôs, das mesas de centro e das praias dos EUA.
Isso é uma perda para editores e autores, que costumam aproveitar a publicidade gratuita para os seus livros na forma impressa: se você observar as sobrecapas nos livros que as pessoas estão lendo num avião ou num parque, pode decidir também conhecer os títulos "Os Homens Que Não Amavam as Mulheres" ou "The Help".
"Com frequência, quando você pensa num livro, lembra-se da sua capa", disse Jeffrey Alexander, professor de sociologia cultural da Universidade Yale. "É uma forma de atrair as pessoas por meio do visual para a leitura."
Nas livrarias, onde a maioria das vendas ainda acontece, as capas têm um papel crucial. "Se você já passou por esse obstáculo de fazer o consumidor ser atraído pela capa, e ele decide pegar o livro, uma enorme batalha foi vencida", disse Patricia Bostelman, vice-presidente de marketing da rede de livrarias dos EUA Barnes & Noble.
Mas é uma vitória que será mais difícil de alcançar se ninguém for capaz de perceber se você está lendo "Guerra e Paz" ou "Diamonds and Desire". Talvez nenhum outro elemento do processo editorial receba tanta contribuição de tanta gente diferente quanto a sobrecapa. Primeiro, o diretor de criação chega com uma ideia.
(Que tal esta imagem de uma maçã?) Aí o editor do livro, o autor e o agente dão uma olhada. (Dá para aumentar a fonte no nome do autor? E já não foi usada uma maçã naquele livro sobre vampiros? Este livro não é sobre vampiros.) O editor do selo se envolve.
(Vampiros vendem. Eu gosto da maçã.) O pessoal de vendas faz comentários. (Não há um ângulo econômico? Que tal uma maçã com uma laranja dentro? Isso já funcionou antes.) Até os livreiros têm uma opinião. (O que eu realmente gosto numa capa é um par de saltos altos.)
Claro que uma boa sobrecapa dificilmente salva um mau livro. Mas, num mercado concorrido, uma capa chamativa é uma vantagem que todo autor e editor deseja. Para se ter uma ideia, numa análise aleatória de mil livros de negócios lançados no ano passado, a consultoria Codex Group descobriu que apenas 62 venderam mais de 5.000 exemplares.
Conforme as editoras exploram a publicidade dirigida no Google e em outros mecanismos de busca e redes sociais, elas percebem que uma capa digital continua sendo a melhor forma de representar um livro.
Alguns leitores esperam que os dispositivos eletrônicos de leitura acrescentem funções que permitam divulgar o que se lê. "As pessoas gostam de exibir o que estão fazendo e o que gostam", disse a blogueira Maud Newton. "Então acabará havendo um jeito de as pessoas fazerem isso com os e-readers."
Por enquanto, muitas editoras confiam no efeito Facebook. "Antes, você podia ver três pessoas lendo 'Comer, Rezar, Amar' no metrô", disse Clare Ferraro, presidente dos selos editoriais Viking e Plume. "Agora, você vai entrar no Facebook e notar que três dos seus amigos estão lendo 'Comer, Rezar, Amar'."
Algumas editoras digitais suspeitam que uma das razões para a popularidade das edições digitais de obras românticas e eróticas seja a discrição dos e-readers. Mesmo assim, as capas ainda importam.
Holly Schmidt, presidente da editora de e-books Ravenous Romance, contou o caso de uma antologia de contos sobre mulheres mais velhas e homens mais jovens. A primeira versão tinha na capa digital a imagem de uma mulher cativante. Não vendeu quase nada. A editora disponibilizou uma nova capa on-line -desta vez mostrando os torsos nus e musculosos de três jovens-, e as vendas decolaram.
A nova capa, segundo Schmidt, "pegou um livro fracassado e o transformou em um produto de vendas bastante fortes".

Eu sempre tento ler o que outras pessoas estão lendo no ônibus ou no metrô....
W.

5 de abr de 2010

Sobre amor

Segue uma dupla citação:

"O amor é uma bem fundamentada preocupação com o bem de todos". by Dallas Willard

"O amor não tem visão estreita. Se começo a levar os necessitados para minha casa e destruo minha vida familiar, é óbvio que não estou sendo guiado pelo amor. Os mandamentos de Jesus devem ser entendidos no amplo contexto da lei do amor. A intenção do ensino bíblico não é anular nossa existência, e sim nos libertar. Ele corresponde ao alegre toque de trombeta que conclama a todos para se libertarem da ditadura da reputação, da riqueza e do poder".

Retirado do maravilhoso "A liberdade da simplicidade: encontrando harmonia num mundo complexo" escrito por Richard Foster.

31 de mar de 2010

O centro de SP em cinco quarteirões

Quarta-feira, dia 31 de Março, 21 horas.


Das 19 às 20h30 estive no Projeto 242 em uma singela festa de Páscoa para as crianças da região do Glicério/Liberdade. Mais de 60 crianças e muitos sorrisos e risadas! E um beijo melado na minha bochecha dado por uma garotinha de mais ou menos 4 anos com Down! Emocionante!


Depois, carona até a porta da Igreja da Graça na Avenida São João. Desço dali e vou numa padaria na Rua Aurora. Ao entrar, não resisto e sento no balcão e peço uma pizza, duas pizzas, três pizzas e dois refrigerantes! Depois reclamo que a barriga não diminui.... No balcão há um traveco lanchando antes de se trocar e ir para seu ponto. Na saída, vejo que os pedaços de pizza ficaram barato. Alguém não anotou uma pizza. Olho na tela do computador do português e vejo só anotaram dois pedaços. Sou tentado a ir embora, mas acabo pagando o terceiro pedaço. O nome do pedaço era Sideral, uma mistura de mussarela, calabreza, cebola, azeitona, bacon, que apelidei de "me dá aquela colorida ali"!


Saio da padaria e para tentar descontar as calorias descido fazer um caminho mais longo para casa. Entro na rua Guaianazes e vejo um supermercado ECON (filhos da mãe! Em toda área popular tem um!) de onde sai um cara e um garoto de rua rapidinho se adianta a ele e começa a lavar o vidro dianteiro do carro. Ele ganha umas moedas! 


Logo depois, passo pelo Projeto Retorno, onde havia um povo lavando o salão. Leio que é um projeto da Secretaria Geral de Missões da Igreja Quadrangular. Que bom mais um projeto social (ou evangelizador, sei lá!) se instalar naquela área.


Continuo minha caminhada e chegou até a rua Barão de Itapetininga. Atravesso por um grupo de prostitutas, depois por um pessoal bebendo num bar, depois por um bar só com africanos até chegar no hotel Formula 1 já na avenida São João. Sinto ao longe o cheiro da Yakisoba de rua de um casal de chineses e lembro que faz tempo que não experimento uma bandeijinha de R$3,00! E lá vou eu, até passar novamente pela Igreja da Graça agora fechada e com dois moradores de rua deitados dos dois lados dos portões... fiquei com saudade de quando ali era o cine Metrô.


Na rua dos Gusmões passo por algumas pessoas, dois homens e três mulheres, quando ouço uma delas dizer: não quero morar aqui não!


Chego na famosa esquina da São João com a Ipiranga e me deparo com o povinho bebendo e comendo as deliciosas iguarias de lá (bem.... já fui lá uma vez. O dono me deu um chop e uma porção de pasteis em uma reunião que fiz por lá). É divertido ver o bando de seguranças olhando de lado a lado para proteger os medrosos fregueses! hahahaha
Finalmente passo pela Esquina da MPB do mesmo Bar Brahma e vejo lá dentro uma bela loira acompanhada de um violonista no palco. Passo pelo novo Marabá e quando estou na esquina para atravessar para o outro lado da rua um caminhão faz a curva a toda e derruba várias garrafas na pista. Logo depois passam três ou quatro carros e se ouve aquele barulho terrível de vidro quebrando! Ouço o grito dos moradores de rua que se divertem com o ocorrido!
Ao chegar na galeria onde moro ainda há alguns senhores sentados nas mesinhas de um bar cantarolando um samba antigo e para alívio de algum leitor chego aqui!


Noite quente, não?

13 de mar de 2010

Sou um romântico?

Muito bem, eu me acostumei a dizer que não o sou mais.

Mas analisem alguns fatos comigo.

Ontem, quinta-feira, às 22h20 minutos estava voltando da aula de inglês (volto andando até meu apto) quando decidi religar meu iPod e ouvir alguma música durante a caminhada. Liguei-o e escolhi ouvir uma coletânea do velho The Police.

Comecei com Roxanne e no meio da caminhada cheguei à faixa intitulada "Message in a bottle", duas das minhas canções preferidas deles.

No meio desta última senti uma saudade tremenda de estar com uma mulher em algum lugar à meia-luz conversando e depois dançando ao som dessas canções.

Sai do transe e me vi caminhando diante da Igreja da Consolação no Centro e mais uma vez divaguei, oras eu poderia estar com esta mulher dançando aqui mesmo, pois não importa o lugar, desde que estivéssemos conectados.

Enfim, não sou mais romântico. Devo ser mesmo um maluco!

Talvez o seja mesmo, entretanto, acredito que possa ainda encontrar uma maluca para dançar comigo em plena avenida...

Bem, eu sempre vou e volto aqui.... eis outro retorno!

W.

21 de fev de 2010

Direto de uma página de rosto

Lá estava eu a separar (e me deliciar) com um bom lote de livros doados para a Biblioteca.

No meio das caixas me deparo com um surrado livro. Com mais de 600 páginas, seu título era: Meu destino é pecar. Autoria de Suzana Flag.

Claro que abro-o para folheá-lo e me deparo com a seguinte dedicatória:


À minha amiga e companheira,
Com os votos mais ardentes para que possamos um dia reparar o remorso de hoje.


Com toda sinceridade do seu, Fulvio.


30/08/1944

Agora fico aqui tentando imaginar o que acontecera com este casamento?
Creio que uma amiga possa escrever uma história sobre o ocorrido....

W.

17 de fev de 2010

Sobre uma cruz

Na Ilha do Mel, no Paraná, de uma praia onde estava avistei uma cruz no alto de um morro.
Aquela cruz chamou tanto minha atenção que retornei pelo caminho quente e aparentemente desolado sobre a areia quente do mormaço que ali fazia.

Não me contentei em me aproximar e tirar as fotos. Fui impelido a subir o morro e o fiz.

A subida não foi fácil, pois depois conversando com um nativo descobri que ele se chama "morro do sabão" devido a dificuldade da subida.

Depois de alguns minutos lá estava eu....  Não sei se de medo do lugar tão estreito onde fora colocada a cruz ou do cansaço da subida, eu estava tremendo. Tive que aguardar um pouco antes de tirar as fotos do que eu via e da própria cruz.

Foi quando pensei no caminho que enfrentado pelos condenados à morte de cruz na famosa gólgota onde Jesus foi crucificado.

Eu fui até lá sem nenhuma cruz, mas muitos outros enfrentaram tal caminho com suas cruzes às costas.
Eu fui lá porque quis ir. Muitos foram até lá obrigados.
Jesus o fez por um designío maior. Só de subir sozinho imagino a dor enfrentada pelos homens que sofreram tal condenação.
Aquela subida me faz pensar o quão beneficiados somos hoje em dia. Não temos que fazer nada por obrigação, nem somos escravizados (infelizmente ainda há muitos escravos, é fato).

Temos liberdade e não sabemos vivê-la.


Hoje temos a opção de ir até a cruz, não temos que levá-la!

8 de fev de 2010

Mais política! Que droga!

Não consigo ficar quieto quando leio coisas como essas:

"O curioso é que o PT não se deu bem com aquele MDB doutrinário, coerente e programático, mas se dá muito bem com o PMDB de Michel Temer, que vende até a mãe"

O autor da frase acima é o historiador (e tucano) Marco Antônio Villa.

Antes de começar a dizer o quero, tenho que deixar claro que concordo com ele.

Mas acrescento que ele se esqueceu de dizer que o PSDB, antiga banda doutrinária, coerente e programática, se dá muito bem com o ex-governador Orestes Quércia (do mesmo PMDB mas de outra ala paulista), criatura política que, em minha modesta opinião, é de extirpe muito pior que a do Michel Temer, pois vende não só a mãe, mas como um Fausto pós-moderno, vende mas a sua própria alma para ser senador!

Fico fulo com a crítica feita olhando só para um lado e não todos!

30 anos do PT by Fernando Rodrigues na Folha de SP

Eu não poderia deixar de falar em política por aqui!

Por muito tempo pensei que o PT, apesar dos exageros, mudasse a cena deste país onde os donos do poder fazem o que querem dele, tornando pessoal tudo que é público e mandando banana para nós, o povo.

PT, 30 anos BRASÍLIA - O Partido dos Trabalhadores faz 30 anos neste mês. Sua história se divide entre antes e depois de chegar ao poder.
A parte positiva se concentra na colaboração petista para o amadurecimento da democracia durante as duas primeiras décadas de existência da sigla. Desde o fim da ditadura militar, só o PT soube fazer oposição -apesar dos excessos.
O poder fez mal aos petistas. Fez mais mal ainda ao equilíbrio da República. As ferramentas de cobrança de responsabilidade esvaneceram com a chegada de Lula ao Planalto. Basta lembrar o episódio do dia 11 de agosto de 2005.
Naquela data, o marqueteiro Duda Mendonça depôs na CPI do Mensalão. Confessou ter recebido R$ 10,5 milhões numa conta secreta no exterior por serviços prestados na campanha eleitoral de 2002, quando havia produzido os comerciais da campanha de Lula.
Desprovido de oposição, o Brasil assistiu a cenas patéticas na sequência. Petistas choraram no plenário da Câmara. Líderes do PSDB e do Democratas (ainda com seu nome original, PFL) ficaram em estado de catatonia, inertes.
Para saber a falta que o PT faz à oposição, imagine o leitor se a cena tivesse ocorrido no governo FHC, antecessor de Lula. O que aconteceria se em vez de Duda tivesse sido o publicitário Nizan Guanaes a confessar o delito? O PT só sossegaria quando conseguisse a condenação final e enviasse todos para uma temporada em Alcatraz.
Esses tempos não existem mais.
Todos os partidos sabem muito bem o que cada um fez no verão passado. Imobilizados pela culpabilidade mútua, associam-se numa nefanda confraria do silêncio.
A síntese dos 30 anos do PT é o documento assinado pela sigla em conjunto com PSDB e Democratas, a favor de doações eleitorais ocultas. Transparência demais é burrice, ensinou Delúbio Soares. Aos 30 anos, o PT aprendeu bem.

6 de fev de 2010

Porque gosto de praia?

Nunca pensei a fundo, porque gosto tanto de ir à praia.
Gosto e pronto seria a resposta mais fácil e simples, porém, duas coisas estão bem claras.

Ir à praia me traz esperança.
Assim como uma onda quebra após a outra
Acredito que as oportunidades da vida vem uma após a outra.
A relação aparentemente não é tão simples, por isso, vou explicar.
Eu mesmo e muitas pessoas quando estão dentro do mar buscam a onda perfeita. Para os surfistas a onda perfeita é aquela em que conseguem surfar sobre ela. Para o simples banhista o ápice do pegar onda é o momento em que você desce com a onda ou principalmente quando se chega à onda antes da quebra.
O ato de pegar a onda antes dela quebrar é o que mais gosto de ver e fazer na praia!
E é isto que devemos fazer na vida em relação às oportunidades. Temos que nos posicionar bem para que no momento que elas aparecem possamos pegar a oportunidade antes que ela quebre e vire apenas um turbilhão.Em outros casos, nos adiantamos tanto, tão ansiosamente, e nem turbilhão pegamos.... no máximo, se estivermos com a famosa água acima do umbigo, ficaremos em área onde não os pés não alcançam o chão.
Enfim, não é fácil pegar ondas, como não é fácil aproveitar oportunidades na vida.

Mas acho que viajei demais na análise e não falei de outras coisas que tanto amo na praia.

No inicio da noite o clima nas praias é romântico.
Ouvir o som do mar a quebrar
E ver casais juntinhos a caminhar
É capaz de fazer sonhos de amor despertar.

Bem, vou parando por aqui, mas vou pensando em outras coisas que gosto Na Praia (lembrei do livro de mesmo nome do Ian McEwan, sensacional como o mar!)

William - Guarujá - Pitangueiras

5 de fev de 2010

O tempo e o Cronos

Depois de ler vários comentários repletos de citações da colega Lú, parei para pensar....

Eu sinceramente acho que Cronos não está nem ai com o tempo, nós é que nos preocupamos com ele demais.
Depois que parei de pensar muito nele fiquei em paz.... depois de anos de apressado pesar.

Ao mesmo tempo é engraçado como os tons e traços não necessariamente ficam melhores ou piores nos momentos de paz ou luta.... nem sempre a arte é ditada pelo nosso momento. Em momentos maus, a arte sai de forma diferente e muitas vezes cheia de profundidade também.

No mais, vou ficando por aqui em outras coisas mais pensando.

W.

31 de jan de 2010

Mais um retorno

Mais uma vez retorno ao velho scriptorium.

Desta vez para elegê-lo como meu blog principal.
Não irei juntar conteúdos do blog recentemente recriado lá no UOL, mas também não o excluirei.

Nesse recomeço, recomendo o último texto da Luciana:
http://yannaywam.blogspot.com/

Ela fala de sua experiência com a educação artística, e invejoso que sou, e menos inventivo também, tenho a dizer que duas das lembranças mais vivas dos bons tempos de estudos ginasiais e colegiais são ligadas à educação artística.

No primeiro momento, lá estava a mais bela professora da escola trazendo as primeiras e últimas telas que eu pintaria.
Tela em mãos, tintas idem, fui à labuta.
O resultado para mim não foi dos piores, porém entre todos os alunos da minha classe o resultado era um só, conforme um dos diálogos que me lembro:
- William, o que é isso?
- Um coqueiro, dizia eu.
- Hummm....
- Parece um pé de maconha ou canabis (foi a primeira vez que liguei canabis com maconha!).

Ao chegar em casa com a obra de arte, pensei que seria compreendido... nada, novamente o pé de maconha veio à mente das pessoas.

Finalmente, num ato de coragem, no pequeno quarto minha mãe pendurou por anos meu quadro.

Quando mudei de Barueri e retornei para São Paulo, minha obra de arte foi para o cesto redondo...

O segundo momento foi anterior ao primeiro, mas me lembro bem dele!
À época, a mesma bela professora pediu para desenharmos livremente.
Lá fui eu, o jovem grão-mestre da arte moderna desenhar.
Não sei porque cargas d'água eu estava bastante sensível.
Lembro-me claramente de pensar em algo triste e em sofrimento. Admito que como bom melancólico hoje identificado, aquele sentimento ou sensação me persegue, e toda minha produção de vida, seja imagens (que nunca mais fiz) ou textos é afetada hora ou outro por ela.

Mas voltando....
Simplesmente radicalizei!
Fiz uma suástica nazista e coloquei um olho e lágrimas nela.
Hoje não consigo ser tão sintético como fui.

Esse desenho está em alguma pasta minha. Vou procurá-lo!

Luciana, veja o que você fez comigo, fez lembranças saltarem de dentro de mim!

Gostei!

Beijos e fica minha má escrita em homenagem ao seu grande texto!

William